Livro: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Páginas: 171
Editora: Companhia das Letras
Primeiro livro lido do ano foi o incrível Capitães da Areia, do Jorge Amado. Essa é uma releitura, li esse livro no ensino médio, mas faz tanto tempo e agora mais velha, com outra mentalidade resolvi reler para ter outra visão dessa história sensacional.
O autor Jorge Amado é um dos autores nacionais mais conhecidos no Brasil e no mundo, ele escreveu mais de 49 livros, muitos famosos como Dona Flor e seus Dois Maridos, Gabriela e Tieta do Agreste e o próprio Capitães da Areia, suas obras foram levadas para mais de 80 países e traduzida em 49 idiomas.
Esse foi o único livro do autor que li até agora e eu gosto muito dele. A história é sobre um grupo de garotos denominados "Capitães da Areia" que moram em um trapiche, numa praia em Salvador. Eles são crianças e adolescentes que não tem família e se juntaram para tentar sobreviver, eles cuidam uns dos outros, são uma família.
O grupo é liderado por Pedro Bala, o mais velho dos garotos, junto com ele conhecemos o Professor que é um dos poucos (talvez o único) dos meninos que sabe ler, esses dois são os mais velhos do grupos e de alguma forma são os líderes, são eles que elaboram e organizam os planos, que distribuem as funções entre os demais meninos. Além destes, também conhecemos o Sem Pernas, que é um menino mais novo que Pedro Bala e Professor, mas que também já sofreu muito, por ser órfão e coxo (manco) já foi ridicularizado nas ruas e apanhou dos policiais, isso faz com que ele seja um dos mais violentos do grupo.
Dentre tanta desigualdade social e principalmente descaso da sociedade para com esses meninos, também temos personagens que tentam ajudá-los de alguma forma, é o caso da mãe de santo Don'Aninha que sempre vai visitá-los no trapiche. Também é o caso do padre José Pedro que mesmo com os poucos recursos da igreja tenta dar um pouco de conforto para o físico e o espiritual dos meninos. O único que realmente ouve o padre é um menino chamado Pirulito, que sempre se apegou a Deus e que mesmo no trapiche possui diversas imagens de santos que reza todas as noites.
Somos apresentados a muitos personagens neste livro e também somos apresentados a história deles, de como eles chegaram até este ponto. A sociedade encara os Capitães da Areia como marginais, como criminosos, mas nenhuma das autoridades buscaram saber o que levou eles a essa situação , se fugiram de casa pelos maus tratos, se ficaram órfãos, se estava passando fome em casa, nada disso foi questionado. Só apontaram o dedo para esses meninos e buscavam uma forma de capturá-los e puni-los, sem pensar em como mudar a vida deles para melhor ou até mesmo evitar que outros jovens passem por essa situação.
No livro cada um dos personagens principais conforme vai crescendo e amadurecendo busca seu próprio caminho, uns mudam de cidade, outros buscam emprego ou uma ocupação. E outros meninos mais novos vão chegando e assumindo o lugar daqueles que saíram, ou seja, essa desigualdade nunca terá fim. Enquanto a sociedade não olhar para esses meninos com outros olhos e buscar ajudá-los os capitães da areia sempre irão existir e não somente na Bahia, mas em todo lugar do Brasil e do mundo.

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